Em criança, David Evans era muito sossegado e gostava de estar sozinho, mas era também considerado muito inteligente. Era um excelente aluno, e antes de conhecer o resto da banda, tinha planos de ir para a universidade e formar-se em medicina. Tinha 15 anos quando pegou numa guitarra e o seu herói era Rory Gallagher “era o único verdadeiro guitarrista da Irlanda” admitiu.
Foi durante o Outono de 1976 que o jovem viu o bilhete de Larry. Foi o primeiro a responder ao “anúncio” e apareceu na sua casa juntamente com o irmão Dick e o amigo Adam Clayton. Nesses encontros, Edge demonstrou o seu talento a tocar guitarra, e a química entre os membros tornou-se evidente desde o início. O nome The Edge foi atribuído por Bono devido às suas feições e ao hábito de observar tudo a partir da periferia.
O estilo que desenvolveu ainda muito jovem, nada devia aos blues ou ao hard rock. “Sempre pensei que os solos de 15 minutos são uma perda de tempo, e o que eu gostava mesmo era de pessoas que tocavam as canções. É muito difícil a canção ser realmente boa com uma guitarra única e interessante.”
The Edge juntou-se a um grupo religioso Cristão, o Shalom, no início dos anos 80, juntamente com Bono e Larry. Estavam os três à procura de espiritualidade e da resposta à grande pergunta, no entanto, estes assuntos colocaram a banda em risco. Encontravam-se divididos entre os ideais Cristãos e o estilo de vida do rock and roll. Enquanto que Larry e Bono escolheram a banda rapidamente, Edge encontrava-se mais dividido. Tinha muitas dúvidas e quase abandonou os U2 no período que antecedeu o álbum War. Mas no fim de contas, acabou por aceitar o conselho de Bono e seguir o seu coração e, depois de um período de procura, também escolheu a banda. O guitarrista apercebeu-se de que não havia nenhum problema entre as suas crenças e a sua música, as pessoas é que colocavam esse problema.
A guitarra de The Edge foi o aspecto que melhor definiu os primeiros álbuns dos U2 e tornou-se numa “imagem de marca” da banda. Os sons característicos e hipnotizantes e as emoções que ele transmitia através dos mesmos tornaram-no num dos guitarristas mais únicos da história do rock and roll. O seu estilo limpo, inteligente e perspicaz é inconfundível. Por vezes ele é chamado de “anti-herói da guitarra” devido à sua aversão ao estilo indulgente característico dos solos. Assim, ele tendeu sempre a evitar os solos e os blues, estando sempre mais interessado em texturas e ambientes musicais. Esse estilo foi posto à prova na época de The Joshua Tree e Rattle And Hum. “Nós não estávamos de acordo no que tocava ao rumo que o álbum iria levar. Se fosse como Bono queria, The Joshua Tree seria muito mais Americano e ao estilo dos blues, eu queria fugir a isso.” Bono conseguiu o que queria com Rattle And Hum e este tornou-se no álbum mais deslocado.
Em 1983, Edge casou-se com Aislinn O'Sullivan, e com ela permaneceu durante sete anos. Tiveram três filhas mas separaram-se em 1990. Mais tarde, em 1993, o guitarrista conheceu Morleigh Steinberg, bailarina e coreógrafa da ZooTv Tour, de quem tem dois filhos. Casaram-se em 2002.
The Edge teve muita influência na redescoberta do equilíbrio e reinvenção dos U2. Embora a maioria das letras de Achtung Baby não lhe sejam creditadas directamente, os temas de desejo, dúvida e traição assentaram perfeitamente nos seus assuntos pessoais. Ele atirou-se para o trabalho e das sessões saíram músicas abstractas e experimentais que resultaram num álbum obscuro e complexo.
Nas palavras de Paul MccGuinness “The Edge é muito inteligente, é um génio musical. Nunca encontrou um instrumento do qual não conseguisse tirar algum som bonito, pois é muito versátil e acredito que tem um dom.” Assim, The Edge é muito mais do que um guitarrista, escreveu e cantou “Van Diemen’s Land” e “Numb”, cantou Seconds do álbum War e também cantou sozinho “Sunday Bloody Sunday” na Pop Mart Tour. Escreveu a maioria das canções mais religiosas dos U2 como “Wake Up Dead Man”. Em concertos, ele toca guitarra, teclas e ainda canta. Também toca baixo em “40”, ao vivo e no álbum, trocando assim de instrumento com Adam Clayton.
Edge pode não ser reconhecido como um dos melhores técnicos de guitarra de sempre, mas em originalidade ele está lá em cima. Ninguém toca como The Edge. So o tirassem da banda, o som dos U2 nunca mais seria o mesmo.
Cientista. Cristão. Ícone da guitarra. Edge continua a ser um enigma embrulhado naquele chapéu ou gorro apertado. Tem o talento e a visão para escrever letras, mas recusou a maioria das oportunidades porque tinha medo de perder o controlo. É absolutamente dedicado à sua banda, “Se eu não estivesse nos U2, acho que nem sequer seria músico” disse ele em 1995. “Não quereria estar noutra banda porque o ambiente criativo que nós criamos é desafia-nos e excita ao mesmo tempo, posso ver-nos a fazer isto por mais vinte anos sem problemas. Mas se eu estivesse fora deste ambiente, não sei se estaria interessado.”


